OTrio d"Ataque tem uma grande virtude, que é ser controverso, mas sem gritaria." Hugo Gilberto, jornalista e moderador do programa que tem como comentadores atuais António Oliveira, Rui Oliveira e Costa e João Gobern, começa por definir assim o sucesso do formato dedicado ao futebol, que se estreou em novembro de 2004, no extinto canal NTV (que deu origem à RTPN e depois à RTP Informação). O mestre-de-cerimónias garante que o espaço de comentário "não foge às polémicas e aborda os temas palpitantes, só que sem berros". E acrescenta: "O programa já é um clássico e passou a ser uma marca da RTP, como era o Domingo Desportivo.".Hugo Gilberto, que sucedeu a Carlos Daniel há seis anos, defende que o sucesso de Trio d"Ataque passa pela "discussão do futebol sem amarras e tabus, mas de forma inteligente e trazendo para o diálogo pessoas de vários quadrantes da sociedade portuguesa [ver caixas]". O moderador realça ainda que, pelo Trio, como carinhosamente designa o formato, já passaram vários convidados, como os presidentes dos três principais clubes portugueses, selecionadores e até José Mourinho, em direto de Inglaterra, quando assinou pela primeira vez com o Chelsea, em 2004..Trio d"Ataque esteve, durante sete anos consecutivos, nas noites de terça-feira. Em 2011, o formato transferiu-se com sucesso para o domingo, mantendo a liderança no cabo com uma audiência média de 110 mil espectadores. "Não temos culpa de que quem era líder ao domingo tenha deixado de o ser", atira o jornalista, referindo-se ao programa da SIC Notícias Tempo Extra (que, desde outubro de 2013, passou para as terças-feiras, sendo substituído por Play Off, ambos com Rui Santos). E é ao comentador concorrente do canal de notícias de Carnaxide que João Gobern, atual comentador benfiquista de Trio d"Ataque, não poupa críticas. "O programa da SIC Notícias tem a vantagem de ter como comentadores ex-futebolistas [António Simões, Manuel Fernandes e Rudolfo Reis], mas a este junta-se um corpo estranho, o Rui Santos. Ele tem um estilo que não me convence porque vê confissões e cabalas em tudo, só que depois não as consegue demonstrar.".João Gobern, sem entrar "em grande vaidade, mas sem falsas modéstias", realça que, ao fim de dez anos, Trio d"Ataque continua "a fazer sentido". E acrescenta: "Há um grau de sinceridade em relação ao que se diz e esse é o grande sucesso do programa." A mesma opinião é defendida por Miguel Guedes, que está a ser substituído por António Oliveira, mas que em janeiro estará de volta ao formato. "As pessoas estão fartas que lhes mintam na vida e o programa é verdadeiro", defende Guedes. O músico dos Blind Zero realça que Trio d"Ataque é um fenómeno que se tem pautado no respeito pelas pessoas e na paixão pelos clubes."..Foi a paixão pelo Vitória de Guimarães, de que é adepto desde criança, que levou João Reis a aceitar o convite de Carlos Daniel e depois de Hugo Gilberto para comentar no Trio d"Ataque. "Estava muito nervoso", recorda o ator, acrescentando: "Aceitei o convite, mas não era a minha praia. Sou um simples adepto que sabe meia dúzia de coisas, não tenho a informação deles." O marido de Catarina Furtado admite, no entanto, que não aceitaria o papel de comentador residente. E explica porquê: "É preciso ter muita paciência, capacidade de encaixe e arcaboiço. Há sempre bastante pressão e ouve-se muitas "bocas"", afiança. ."Ao jantar raramente falamos sobre futebol".Adepto do Benfica, condição na qual participou durante um ano no programa de comentário desportivo da RTP Informação, Júlio Machado Vaz tem uma visão crítica sobre este tipo de formatos. "Fazem sentido mas há uma cobertura exagerada na televisão por cabo. É a semana inteira!", denota o sexólogo. No entanto, e por razões afetivas", Machado Vaz continua a ser espetador assíduo de Trio d"Ataque. "É uma referência", explica.A passagem pelos estúdios do Monte da Virgem, em Gaia, na qualidade de comentador desportivo, pode ter sido curta, mas deixou boas memórias. Júlio Machado Vaz recorda os jantares com o painel de comentadores e com o moderador. "Ou quando íamos beber um copo, depois do programa, e ficávamos a conversar descontraidamente", lembra. Este ritual, em 2014, ainda se mantém. E todos os assuntos são permitidos à mesa, menos um. "Raramente falamos sobre futebol. Discutimos sobretudo política internacional, desde Angela Merkel a Barack Obama. Nos últimos quatro ou cinco domingos, andámos a discutir as eleições presidenciais do Brasil", revela Hugo Gilberto..Jorge Gabriel faz parte da velha guarda do Trio. No primeiro ano de vida do programa incluiu o painel de comentadores, tendo regressado em 2013, saindo no final da temporada. O apresentador do programa da RTP1 Aqui Portugal elogia a transparência do formato moderado por Hugo Gilberto: "Ali não há gato escondido com o rabo de fora." Jorge Gabriel, que foi treinador de futebol, não rejeita um regresso ao comentário desportivo. "Voltar? Só se a RTP me pedir muito. Adoro futebol, a prática, a discussão tática e técnica, mas não gosto dos dirigentes.".Recém-regressado ao Trio d"Ataque, depois de uma curta passagem pelo formato da SIC Notícias O Dia Seguinte, Rui Oliveira e Costa descreve de forma bem humorada o retorno à RTP Informação: "Foi aquilo a que se chama no futebol uma transferência de verão", brinca. O adepto do Sporting não poupa elogios a Hugo Gilberto: "O sucesso do programa deve-se, em parte, ao seu excelente moderador. Eficaz e com bom senso." O professor de Ciência Política e responsável pela empresa de estudos de opinião Eurosondagem faz um saldo positivo da sua participação no Trio mesmo a nível pessoal. "Fiz três amigos, o Rui Moreira, o Miguel Guedes e o Hugo Gilberto. Só tive um problema com um dos comentadores, o António-Pedro Vasconcelos", recorda. .Programa de comentário desportivo que se preze tem de ter os seus episódios polémicos (tão bem documentados e replicados nas redes sociais). Rui Oliveira e Costa relembra a caricata saída em direto do atual presidente da Câmara do Porto... e revela o que aconteceu nos bastidores e que os telespectadores não viram. "Aquilo aconteceu uns minutos antes do intervalo. Fui à procura dele mas ele nem passou pela caracterização para tirar o pó-de-arroz da cara [risos]! No final do programa telefonei-lhe e fomos cear, para conversar um bocado.".Quem estava do lado benfiquista quando Rui Moreira abandonou o estúdio do Trio era António-Pedro Vasconcelos. "Eu estava a falar das escutas do caso Apito Dourado que denunciavam métodos de corrupção e ele foi incapaz de conviver com essas críticas", relembra o realizador. António-Pedro Vasconcelos apreciou a sua passagem pelo programa, mas lamenta que tenha havido "falta de fairplay". "No início era um programa de cavalheiros, mas no ano em que o Benfica ganhou o campeonato [época 2009/2010] os meus colegas de painel perderam a compostura. Foram incapazes de reconhecer que o Benfica tinha sido a melhor equipa", recorda..Ao fim de uma década, Trio d"Ataque vai continuar a renovar-se. Sem levantar demasiado o véu, Hugo Gilberto promete novidades para 2015: "A partir de janeiro vamos ter uma nova rubrica".